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quinta-feira, 26 de maio de 2011

QUEM GANHA ALMAS SÁBIO É???

EXEGESE DE PROVÉRBIOS 11.30

Um versículo bastante difundido no meio evangélico é Provérbios 11.30, e sua
clássica aplicação como grande incentivo ao evangelismo: aquele que ganha almas é sábio.
O princípio de que “ovelha gera ovelha” sempre nesse versículo o seu texto-chave. Esta
aplicação remonta à época da Reforma, e foi celebrizada na famosa tradução de King James
e Geneva Bible, - “and he that winneth souls is wise”- junto com a nota marginal desta
última que traz a interpretação que passou a prevalecer: “ou seja, os traz para o
conhecimento de Deus”. Anos mais tarde, o metodismo continuaria com essa leitura,
quando John Wesley assim comenta essa passagem: “o fruto – seus discursos e toda a sua
conversação, que são como o fruto da árvore da vida. Ganha – aquele que ganha almas para
Deus”. Portanto, podemos dizer que esta aplicação do versículo é uma marca do
metodismo, a qual passou para o protestantismo norte-americano e dali para o
protestantismo brasileiro. Esta tradução tradicional ainda é seguida pela Almeida (tanta a
Corrigida como a Atualizada), a espanhola Reina Valera edição 1995, a alemã Schlachter
de 1951. Porém, uma leve observação no texto massorético nos mostra que esta tradução
não é adequada (seguimos aqui o Codex Aleppo, o Códice Lenigradense muda o ponto
diacrítico da última letra shin):
פְּרִ י צַדִיק עֵץ חַיִים וְּלקֵחַַ נְּפַׁשות חָכָם
O motivo da discórdia neste versículo é o verbo לקח. Este verbo tem o sentido
básico de “pegar”, “tomar”, fazendo que a parte b do versículo seja lido assim literalmente:
“aquele que pega (?) almas é sábio”. A Septuaginta e a Vulgata Latina não ajudam, antes
deixam a interpretação do versículo ainda mais confusa:
(“fora do fruto da retidão cresce árvore da vida, mas as almas dos transgressores são
cortadas antes do tempo”).
Vulgata: fructus iusti lignum vitae et qui suscipit animas sapiens est
(“o fruto do justo é árvore da vida, e o que ampara as almas é sábio” – Tradução de
Padre Antônio Pereira de Figueiredo)
As várias traduções refletem as diferentes tentativas de elucidar a parte b deste
versículo:Bíblia de Jerusalém: “o sábio conquista as pessoas” (seguida pela Bíblia Vozes e
pela Bíblia do peregrino)
Tradução Ecumênica: “o sábio cativa as pessoas” (seguida pela Jewish Publication
Society,
Nova Tradução na Linguagem de Hoje: “quem aumenta o número de amigos é
sábio”
A Bíblia Viva: “quem é sábio leva outros para junto de Deus”
Luther Bible 1912: “o que ganha corações é sábio”
Revidierte Lutherbibel (1984): “o roubo leva embora a vida”
Leeser Old Testament (1853): “o que atrai almas para si é sábio”
New Revised Standard Version: “a violência arrebata vidas”.
Revised Standard Version: “a impiedade arrebata vidas”.
Targum: “o que recebe as almas dos sábios é agradável”
Peshitta Siríaca: “as almas dos ímpios são dispersas”
Como podemos resolver este impasse? Uma leitura tão diferente como a da
Septuaginta deve ter alguma base. Podemos perceber que a Peshitta Siríaca segue a leitura
grega (embora em muitas ocasiões, apesar de ser uma tradução semítica, ela apresenta-se
mais alinhada com a Septuaginta). Prestando atenção que a disposição preferida em
Provérbios é o paralelismo antitético – antagonismo de idéias, seria de se esperar que o
segundo hemistíquio trouxesse alguma contraposição ao justo. A Bíblia Hebraica
Stuttgartensia propõe que tenha havido uma confusão na última palavra – um escriba
colocou םָכָח quando a palavra provavelmente seria סָמָח, “violência” – o que explicaria a
estranha leitura da septuaginta, tão diferente do texto massorético, e torna plausível e mais
correta a interpretação da New Revised Standard Vdersion.

1 Comentário:

Igreja Missionaria Unção de Deus disse...

acredito que a palavra,é a verdade de Deus revelada ao home para o seu crescimento, moral, ético e espíritual, ser sábio é levar outros a presença de Deus . biblia viva .

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