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quinta-feira, 5 de março de 2009

Teologia e liturgia da Ceia do Senhor.

A CEIA DO SENHOR

1- TESES HISTÓRICAS SOBRE A CEIA
Iremos apresentar três teses sobre o significado da Ceia:

1.1- Segundo o dogma católico, Jesus Cristo se acha presente sob as aparências do pão e do vinho, com seu corpo, sangue, alma e divindade, isto é o que geralmente se entende por “transubstanciação”.
1. 2- Lutero defende a tese segundo a qual o pão e o vinho permanecem presentes na ceia simultaneamente com o corpo e o sangue de Cristo, isto é chamado geralmente de “consubstanciação” 1.3- Zwinglio defende que a Ceia cristã é um memorial. que comemora o sacrifício único e infinitamente suficiente de Cristo. Posição essa adotada pela maioria dos protestantes.
2- A CEIA E A BÍBLIA
A Santa Ceia do Senhor está mencionada em quatro trechos da bíblia: I Cor 11:23-32, Mt 26:26-29, Mc 14:22-25 e Lc 22:15-20.
A Ceia do Senhor relaciona-se com o passado, presente e futuro.
2.1- No passado: a) É um memorial – relembramos a morte de Cristo no calvário para redimir os crentes do pecado e da condenação, b) É um ato de ação de graça pelas bênçãos sobre a nossa vida por intermédio da morte de Cristo.
2.2- No presente: a) É um ato de comunhão de Cristo com a Igreja, Jesus como ressurreto se faz presente de maneira especial, b) A Ceia é uma proclamação sobre a nova aliança e reafirmação do senhorio de Cristo.
2.3- No futuro: a) É um antegozo do reino futuro de Deus, b) Antevê a volta eminente de Cristo para buscar a igreja.
Toda a importância mencionada só passa a ter significado se chegarmos diante do Senhor com fé genuína, oração sincera e obediência a sua palavra e a sua vontade.



3- CONTEXTO HISTÓRICO DA CEIA EM 1CORÍNTIOS

Para se falar sobre a Santa Ceia, é necessário entrar um pouco na história da igreja primitiva. Antigamente existia a chamada “Festa do Amor”, que enfatizava o dever do cristão de amar mutuamente, e isso sempre foi expresso na igreja por meio de reuniões para comunhão.

Entre os judeus era comum refeições para comunhão e fraternidade, e reuniões similares de convívio tinham lugar entre os gentios. Era natural, por conseguinte, que tanto os crentes judeus quanto os crentes gentios viessem adotar tal prática.

O nome ágape foi posteriormente dado à refeição de comunhão. O relato do apostolo Paulo em 1Coríntios aparece encravado no contexto de uma ceia de comunhão.

Havia lá duas secções da observância do culto: uma refeição comum, tomada com o propósito de alimentação, e a Ceia; mas o que estava ocorrendo na congregação era sérios excessos, o apostolo Paulo lançou uma severa advertência, deixando a impressão de que seu desejo era que as duas fases fossem comemoradas separadamente, que os que tivessem fome comessem em casa, e viessem com reverência e auto-exame para participar da Ceia do Senhor.



4- OS PROBLEMAS APRESENTADOS NA IGREJA EM CORINTO

4.1- Enfatizavam facções. (1Corintios 11:18, 19)
“Porque antes de tudo ouço que, quando vos ajuntais na igreja, há entre vós dissensões; e em parte o creio”.
“E até importa que haja entre vós heresias, para que os que são sinceros se manifestem entre vós.”

4.2- Ingestão excessiva e desprezo. (1Corintios 11:21)
“Porque, comendo, cada um toma antecipadamente a sua própria ceia; e assim um tem fome e outro se embriaga.”

5- ANÁLISE DE 1CO 11. 27-34

5.1- (I Corintios 11:27) - Portanto, qualquer que comer este pão, ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor.

Indignamente: (αναξίως “anaxios”) denota participar da Ceia do Senhor tratando-a como comida comum (cf. vs29), não dando a importância simbólica solene.

Paulo certamente não exigia valor absoluto por parte dos participantes, pois nesse caso, ninguém jamais seria capaz de participar da cerimônia:

“Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós”.
Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.
“Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.” 1João 1:8,10


Antes segundo o contexto, ele quis dizer que a decência comum dever ser observada, não podendo haver glutonarias, embriaguez, egoísmo, degradação dos outros, contendas entre os crentes; e sim a tratando como um memorial do sacrifício de Cristo.

5.2- (I Corintios 11:28) - Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma deste pão e beba deste cálice.

Examine-se: (δοκιμάζω “dokimazõ”) provar com o propósito de aprovar, provar com expectativa de aprovar, trazendo o sentido de um auto-exame com esforço para o concerto de erros e falhas.
Apoiado no tempo presente e no modo imperativo, que na gramática grega indica que se deve (como ordem) existir um auto-exame continuamente.

Comer: (εσθιω “esthiõ”) “trata de uma ordem de comer continuamente”
3ª pessoa do singular: ele, aquele que se examina.
Modo imperativo: uma ordem, deve.
Tempo presente: comer continuamente
Voz ativa: sujeito pratica ação

Beber: (πινω “pinõ”) “trata de uma ordem de beber continuamente”
3ª pessoa do singular: ele, aquele que se examina.
Modo imperativo: uma ordem.
Tempo presente: beber continuamente
Voz ativa: sujeito pratica ação

Se não houver a participação do cristão no memorial de Cristo, ele esta desobedecendo a uma ordem direta do Senhor, mas se participar sem examinar-se também se constitui em uma desobediência. Ao cristão resta, examinar-se para ver ser está apto para cear confiando na Graça de Deus, e assim participar do memorial.

5.3- (I Corintios 11:29) - Porque o que come e bebe indignamente, come e bebe para sua própria condenação, não discernindo o corpo do SENHOR.

Discernindo: (διακρινω “diakrinõ”) significa “separar, discriminar, verificar discriminando”, não discernindo ou separando o que o pão e cálice representam.

Condenação: será abordado mais a frente nos versículos 31 e 32.

Ao decorrer o texto, está em evidência uma situação muito clara, onde o que come indignamente recebe este titulo devido sua falta de discernimento do memorial de Cristo, dando inicio a um julgamento com probabilidades de condenação, dentro do contexto esta relacionado diretamente aqueles que exerciam os diversos exageros durante o memorial, tratando-o de modo similar as suas confraternizações.

5.4- (I Corintios 11:30) - Por causa disto há entre vós muitos fracos e doentes, e muitos que dormem.

Muitos: (πολυς “polus”) denota “muito, muitos, grande” é usado, sobretudo em referência a números.

Fracos: (ασθενης “asthenes”) literalmente “sem força”, fraqueza física.

Doentes: (αρρωστος “arrhõstos”.) “fraco, doentio” alude o estado físico.

Transmite existência de um grande número de membros sem força e doentes fisicamente, devido o não discernimento da Ceia.

Muitos: (ικανος “hikanos”) denota “suficiente”, quando usado para aludir a números, às vezes significa “muitos” e sugere um número suficiente dos que dormem.

Esse versículo transmite a falta de firmeza espiritual da igreja de Corinto, pois existiam muitos doentes fisicamente, e um número suficiente de pessoas espiritualmente dormindo, todo esse quadro devido à falta de discernimento da Ceia, fazendo uso da mesma indignamente.

5.5- (I Corintios 11:31) - Porque, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.

Neste momento o apóstolo Paulo traz um momento de reflexão baseado em fatos já ocorridos, tanto “julgássemos” quanto “não seriamos julgados” estão no tempo imperfeito (na gramática grega é uma espécie de visão cinematográfica no passado, indica uma ação contínua no passado), o versículo anterior relata que já existiam atualmente muitos fracos e doentes e muitos que dormem, esse fato se deve justamente porque não houve um auto-exame seguido de um auto-discernimento, julgando algum mal na presença do Senhor.
A partir do momento que ingeriam a Ceia sem discernimento, estavam participando indignamente, passando a partir deste momento a serem julgados.

5.6- (I Corintios 11:32) - Mas, quando somos julgados, somos repreendidos pelo Senhor, para não sermos condenados com o mundo.

Repreendidos: (παιδευω “paideuõ”) denota “disciplinar com punição”.

Condenados: (κατακρινω “katakrinõ”) significa “dar julgamento contra, dar sentença”, por conseguinte “condenar”.

Aqui o apostolo Paulo alude o porquê de diversos males que estavam sobre os membros daquela congregação, e sua explicação é muito objetiva, enfatizando que foi aberto um julgamento, julgamento com probabilidades de condenação (vs29), e para que não haja uma condenação, o Senhor os corrige por meio de disciplinas, com a intenção de conduzi-los a um arrependimento e correção dos erros, não sendo assim condenados de uma vez por todas.

5.7- (I Corintios 11:33) - Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros.

5.8- (I Corintios 11:34) - Mas, se algum tiver fome, coma em casa, para que não vos ajunteis para condenação. Quanto às demais coisas, ordená-las-ei quando for.

O Apóstolo encerra supostamente apresentando o desejo em que as duas fases fossem comemoradas separadamente, o que tem fome coma em casa, e venha para o memorial de Cristo preparado para este momento solene, e como um corpo, desfrute deste momento juntamente com toda a igreja.

Os ensinos de Paulo servem para salientar o significado da Ceia, demonstrando firmemente o propósito de Deus para a Igreja.



6- A CELEBRAÇÃO DA CEIA

- A mesa deve ser própria para a celebração da ceia, devendo ser coberta,
preferencialmente com uma toalha branca.

- Os diáconos ou/e diaconisas já devem estar posicionados

- Lerá preferencialmente para o ato 1 Co 11.23 ss

- Irá ter um momento breve de reflexão com a igreja

- Haverá dedicação dos elementos - pão e vinho

- Após todos serem servidos do pão, segundo nossa tradição se espera para comermos o pão simultaneamente, o celebrante dirá “Todos pegaram o pão?” em caso de resposta positiva dirá: “Tomai e comei, este é meu corpo que é partido por vós.”.

- Após a dedicação do vinho, o celebrante dirá: “Este é o sangue da nova aliança derramado por vós. Bebamos todos.”. Em nossa tradição o vinho é bebido individualmente, assim que se recebe o cálice.

- O obreiro que for fazer a oração de dedicação dos elementos deverá erguer a bandeja acima da cabeça para não correr o risco de cair saliva nos elementos.

- O maior hierarquicamente deve servir o menor.

- Deve haver louvor durante a distribuição dos elementos, de preferência com hinos adequados á temática da ceia.

- Para encerrar a Ceia faz-se uma oração de ações de graça.

3 Comentários:

lord30 disse...

qual o tempo ideal para a realização de uma ceia?
e a reflexão é após o vers de 1.cor ou após a pregação?

Drica disse...

A cerimônia da Ceia varia de acordo com cada tradição eclesiastica e também a quantidade de pessoas a serem servidas, mas não recomenda-se mas do que 30 minutos no cerimonial da Ceia.

A reflexão deveria ser estimulada durante todo evento litúrgico do 'culto' que celebra-se a Ceia do Senhor.

PR. CLEBER BARROS disse...

iSSO MESMO....

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